Banco Will é suspenso e dinheiro de milhões de brasileiros fica congelado
A decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento reacendeu dúvidas entre clientes, investidores e pessoas que possuem contratos ativos com a instituição. O encerramento das atividades, no entanto, não significa perdão automático de dívidas nem cancelamento de obrigações financeiras.
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Controlada pelo Banco Master, a Will Financeira foi liquidada após o órgão regulador constatar o agravamento de sua situação econômico-financeira, caracterizada por insolvência, descumprimento de compromissos operacionais e inviabilidade de continuidade das operações. A medida foi anunciada oficialmente após o bloqueio da instituição no arranjo de pagamentos da Mastercard, o que comprometeu seu funcionamento básico.
Apesar do impacto da notícia, o Banco Central deixou claro que a liquidação tem como objetivo organizar o passivo da empresa, proteger o sistema financeiro e garantir que credores sejam tratados conforme a lei.
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O que significa a liquidação extrajudicial
A liquidação extrajudicial é um regime previsto na legislação do Sistema Financeiro Nacional e ocorre quando uma instituição não possui mais condições de manter suas atividades. Nesse modelo, o Banco Central nomeia um liquidante, responsável por levantar todos os bens, direitos e obrigações da empresa.
Durante esse processo, as operações da instituição são encerradas, mas suas responsabilidades continuam existindo. O patrimônio disponível passa a ser utilizado para pagar credores, respeitando a ordem legal definida em lei.
Também foi determinada a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores, medida adotada quando há indícios de má gestão, risco ao sistema financeiro ou prejuízo relevante a terceiros.
Dívidas continuam válidas e devem ser pagas
Um dos principais pontos que gera confusão entre clientes é a crença de que, com a falência ou liquidação do banco, os contratos deixam de existir. Isso não procede.
Em casos como o da Will Financeira, as dívidas continuam válidas e exigíveis. Empréstimos, financiamentos, parcelamentos e demais obrigações assinadas pelos clientes permanecem ativos, mesmo que o banco não esteja mais operando normalmente.
O que muda é o responsável pela administração desses contratos. Durante a liquidação, o liquidante pode:
– Manter a cobrança diretamente
– Transferir os créditos para outra instituição
– Vender a carteira de dívidas a fundos ou empresas especializadas
Ou seja, o cliente continua obrigado a pagar o que foi contratado, sob risco de negativação, cobrança judicial ou execução do débito.
Especialistas reforçam que deixar de pagar esperando “anistia” pode agravar ainda mais a situação financeira do devedor.
Investidores e credores entram em fila legal
Para quem investiu na instituição, especialmente em produtos ligados ao conglomerado Master, a situação é mais delicada. A liquidação estabelece uma ordem legal de pagamento dos credores.
Primeiro são quitadas despesas do próprio processo. Depois vêm obrigações trabalhistas, tributos e, somente após, os demais credores, conforme disponibilidade de recursos.
Isso significa que não há garantia de ressarcimento integral, principalmente em casos de insolvência profunda, como apontaram relatórios do Banco Central.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pode ser acionado apenas nos produtos que se enquadram nas regras do fundo e dentro do limite legal, atualmente de até R$ 250 mil por CPF e por instituição.
O colapso do Banco Master e os riscos do modelo adotado
O caso da Will Financeira está diretamente ligado à derrocada do Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A instituição cresceu rapidamente oferecendo CDBs com rentabilidades muito acima da média do mercado, o que atraiu milhares de investidores.
Para sustentar esse modelo, o banco passou a assumir riscos elevados e a estruturar operações consideradas artificiais pelos órgãos de controle. Relatórios apontam que a liquidez real — dinheiro disponível para honrar compromissos — se deteriorou ao longo do tempo.
Investigações indicam ainda que, entre 2023 e 2024, cerca de R$ 11,5 bilhões teriam circulado por meio de triangulações envolvendo empresas supostamente de fachada e fundos ligados à gestora Reag Investimentos.
O Banco Central identificou ao menos seis fundos suspeitos, com patrimônio superior a R$ 102 bilhões, movimentando recursos entre estruturas interligadas.
Alerta para consumidores e investidores
O episódio reforça um alerta antigo do próprio Banco Central: rentabilidades muito acima do mercado quase sempre indicam risco elevado. Nenhuma instituição consegue pagar juros fora da média sem assumir exposições perigosas ou modelos insustentáveis.
Para quem possui contratos ativos com a Will Financeira, a recomendação é acompanhar os comunicados oficiais do liquidante, manter os pagamentos em dia e buscar orientação jurídica em caso de dúvida.
Já para investidores, o caso serve como lição sobre a importância de diversificação, análise de risco e cautela diante de promessas de ganhos fáceis.
A liquidação encerra as atividades da instituição, mas não apaga compromissos financeiros. As dívidas permanecem, os contratos continuam válidos e o processo seguirá até que todos os ativos possíveis sejam utilizados para quitar obrigações, dentro dos limites legais.